THYOLA
Francisco José Chiarella
Arquiteto e Laminador profissional, surfista aos 14 anos
Fabricando as pranchas Lightning Bolt desde 1974.
e-mail thyola@thyola.com.br |
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Ainda garoto na década de 60, quando ganhei o apelido Thyola, passava férias com a família no Guarujá, ainda muito tranquilo, poucos prédios e logo ali praia e ondas. Foi num dia normal de sol e praia cheia (nem tanto!), que vi uma prancha de madeira com um surfista, o que me chamou a atenção, despertando algo muito forte, que daria direção a minha vida. Nessa época, já gostava de arte, pintava quadros e cheguei até a participar de uma Bienal em SP. Veio a faculdade de arquitetura e muito surf.
Logo, as aventuras para achar ondas aconteciam tanto pelo litoral paulista (ainda sem estrada), quanto para o Sul (Santa Catarina). Isso despertou a vontade de sair do país a procura de onda. O Peru era perto, barato e tinha muita onda, sendo o primeiro lugar escolhido. Juntamos mais de dez amigos surfistas e num avião remendado com fibra de vidro voamos até Lima para umas férias escolares das mais diferentes. Aquilo foi o ponto de partida para muitas obras. No Peru, além de aprender mais sobre fabricação de pranchas, despertou uma vontade de cada vez mais ir atrás das ondas. A necessidade de consertar as pranchas me deu a chance de conhecer a resina poliéster, que faz o meu sustento até hoje. Logo virou a fábrica de pranchas com o nome “Moby”. Era eu laminando e meu amigo Britto shapeando. Tudo nessa época era difícil e quase não existia material. |
Resolvi trancar a faculdade por seis meses (já no último ano de arquitetura), e com prancha e mochila em 1974, fomos para a América Central, passando pelo Peru, Equador (Pta. Montanita), Panamá, Costa Rica, El Salvador, México e, finalmente, Califórnia, que era nosso sonho. Mas claro que sem dinheiro não dava. Por isso, assim que cheguei, liguei para o Brasil onde Madinho, meu irmão, leiloôu meus quadros e mandou um dinheiro. Aprendi muito na Califórnia trabalhando nas fábricas de prancha, como Wilken Surfboards, onde conheci Pat Rawson, hoje famoso shaper, Quando voltei ao Brasil, Mark Jacola já shapeava e foi o início da Lightning Bolt no Brasil, com Gerry Lopez aparecendo nas capas das revistas surfando Pipeline como ninguém e fazendo o marketing do raio da marca.
Em 1976 fiz a primeira viagem ao Hawaii para ver de perto as grandes ondas e aprender mais ainda sobre fabricação de pranchas. Nessa época, o shaper Tom Parrish fazia sucesso com as monoquilhas e as laminações coloridas com pigmento na resina eram top de linha. Tinha que ter uma boa mão para esticar uma fita crepe dando a mesma curvatura que o shaper havia dado à prancha, e esse “feeling” fazia pranchas de surf parecerem peças de arte. Em 1978, Bali foi um dos picos de maior felicidade. Nossa, essa marcou forte!!!! Muita onda boa e pouca gente dentro da água. Depois Nias, em 1979. Foram trinta dias de onda perfeita. Após horas dentro da água, caminhando pela baía, eu pensava: não é real, é sonho... Passei pela Austrália, julgando campeonatos internacionais e tive o prazer de ver Mark Richard vencer dois dos três campeonatos que julguei. O outro foi vencido por Cheyne Horan. Foi outra grande emoção participar desses grandes eventos.
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Voltando ao Brasil, o mercado de prancha aumentou e decidi construir uma fábrica grande (no início do governo Collor), trazendo shapers de fora, com Barry Kanaiupuni, Dennis Pang, Glen Minami, Eric Arakawa, Nev, Ned Mcmann, e outros. Mas as viagens continuaram. Mesmo trabalhando e com pouco tempo consegui participar das etapas do circuito mundial de longboard em 1989 na Espanha e França, ficando entre os 16 melhores do mundo.
Poderia ter continuado com os campeonatos, mas para ser profissional, deve-se treinar muito, todos os dias, viver para isso, e eu já estava com a fábrica grande fazendo importações de shapes Nev da Austrália e exportando também para a Europa. A vontade é sempre continuar viajando, pois além dos picos que já sabemos e conhecemos, com certeza, em algum lugar do planeta, nesse exato momento, uma onda quebra perfeita e lisa a espera de um ser dessa tribo que corre atrás da alegria máxima de surfar... |

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